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Concordância Verbal para Concurso Público

TRÊS PARTES INTERESSANTES DE CONCORDÂNCIA VERBAL:

 

1 - IDEIA DE PARTE: quando o sujeito traz a ideia de parte, e não de todo, o verbo concorda com o núcleo do sujeito ou com seu complemento.
Então, na frase: A maioria das pessoas veio / vieram.

Perceba que posso tanto escrever no singular quanto no plural por os núcleos se apresentam diferentes.

Quando a frase for: A maioria veio.

Como não há complemento, o verbo somente concorda com o núcleo. Cuidado: quando houver números, a ideia é a mesma: 81% da população votou / votaram. 1% das pessoas votou / votaram.

E quando o número estiver determinado por artigo ou pronome, concorda somente com a determinação: Os 81% do povo vieram.

 

2 - SE, pronome como PA ou IIS: quando o SE for PA, ou seja, partícula apassivadora, o verbo deve concordar com o sujeito que estará na frase de forma paciente: Observam-se as pessoas. (As pessoas são observadas).
Não se fazem amigos como antes. (Amigos não são feitos como antes.).

Porém, quando o SE se comportar como IIS, ou seja, índice de indeterminação do sujeito, o verbo fica no singular por não haver sujeito na frase para a concordância: Necessita-se de mais pessoas na festa. (De mais pessoas é necessitado na festa.)

Não se mora bem em lugares quentes demais. (Não é morado bem em lugares quentes demais.) Fácil de perceber quando se tem PA ou IIS, não? Basta tentar voltar a frase, se a volta for natural, tem-se Os; se não, tem-se IIS.

 

3 - Verbo HAVER no sentido de EXISTIR/OCORRER/ACONTECER: neste sentido o verbo haver não tem sujeito, portanto é impessoal e não vai para o plural: Havia (Existiam) mais pessoas na sala de aula. / Haverá (Existirão) várias oportunidades para estudar. / Houve (Ocorreram) diversos tremores secundários. Perceba que o verbo ‘haver’ não se flexionou, pois não possui sujeito e fica no singular. Contudo, os verbos ‘existir’ e ‘ocorrer’ flexionaram-se naturalmente com seus respectivos sujeitos – pessoas / oportunidades / tremores.
As provas de concursos têm trazido justamente os outros verbos e pedindo a troca do haver por eles. Assim, temos de pensar na hora de responder: se o verbo for ‘haver’ no sentido deles, singular; se o verbo for os outros, concorda com seu sujeito.

Isso acontece com as locuções também: Deve haver (Devem existir) fatores extras de comparação. / Poderia haver (Poderiam acontecer) mais eventos como este.

Há observações importantes a se fazer! A. o verbo haver pode ir ao plural! Basta que ele não signifique ‘existir/ocorrer/acontecer’: Os alunos houveram (fizeram)a prova pela manhã. Neste sentido, o verbo possui sujeito – alunos – e concorda com ele: Os abraços hão de ser (serão) milhões de abraços. B. Cuidado, pois o verbo ‘haver’ pode significar ‘ter’ – A África há leões. –, porém o verbo ‘ter’ não pode significar ‘haver/existir’ e, sim, ‘possuir’: No meio do caminho, tinha (havia/existia) uma pedra.

Nosso poeta errou de propósito para chocar a sociedade e a crítica e para mostrar a língua falada, porém deu-nos um belo exemplo.

Cuidado com isso, pois o sentido pode ser o mesmo e ser natural aos nossos ouvidos, contudo está errado de acordo com a norma culta. Depende da pergunta a nossa resposta sobre esse verbo. C. o verbo ‘haver’ pode ser usado no sentido de tempo passado.

Assim, ele é impessoal também e sem sujeito: Há dez anos, encontrei você. Cuidado, não se usa, sob nenhuma desculpa, a palavra ‘atrás’ com o verbo ‘haver’ nesse sentido – configura-se pleonasmo vicioso –, então, não se escreve: Há dez anos atrás, encontrei você.

Assim usa-se um ou outro: Anos atrás, encontrei você.

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Forte Abraço,

Prof. Diego Amorim

 

 

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